MEMÓRIA DO PAISAGISMO NO BRASIL: Vivenciado pelo Eng. Agr. Rodolfo Geiser atuando em paisagismo.

Autor: Rodolfo Geiser - Data: 07/02/2019

MEMÓRIA DO PAISAGISMO NO BRASIL:
Como vivenciado pelo Eng. Agrônomo Rodolfo Geiser, que atua em paisagismo.

PARTE 1

Auepaisagismo - O que o levou à escolha da Agronomia? .

Pergunta difícil; precisaria um retiro para meditação. Numa memória periférica escolhi Agronomia, numa ´mistura´ (= busca de equilíbrio) entre contingências da VIDA e um processo de sensibilização em direção ao ambiente, a natureza e de uma melhor compreensão da espécie humana. Incluindo o entendimento de mim próprio (do homem) como espécie animal. A figura de três primos engenheiros que me impressionavam profissionalmente, talvez também tenham me impulsionado em direção à ´engenharia agronômica´ ( primos Gert, Emílio e Harald ). Tinha também uma sensibilização pela ´arte´ e pela ´filosofia´; sendo que quanto à última pensei seriamente em cursar após formatura. Mas desisti considerando que tendo cursado uma Universidade já tinha aprendido bastante sobre métodos e modelos de pensar e refletir.

2 Auepaisagismo - Como foi o início de sua carreira? E o paisagismo, de que forma entrou em sua vida? .

INÍCIO.

Comecei em 1957, aos 17 anos na empresa de jardinagem "Germano Zimber e Cia - CASA FLORA", então sediada na Rua Coronel José Euzébio, em São Paulo, SP. Essa empresa possuía também um viveiro de produção de mudas ornamentais na Estrada de Cotia, km 16., numa área superior à 100.000 m2. Germano Zimber, formado em Gartenkunst (Arte da Jardinagem) na Alemanha, tinha também extensa biblioteca, que me deixou bastante impressionado e motivado com a atividade. Embora não conhecesse a língua alemã, ilustrações, projetos de jardins e poucas palavrinhas consultadas num dicionário, já ajudavam muito a entender a própria conceituação na elaboração de projetos de parques e jardins. Nesses livros percebi que a atividade se ampliava muito além dos jardins e avançava pelo planejamento da macropaisagem. Não tive a satisfação de conhecer o Sr. Germano; quando lá comecei tratei com sua viúva, Dona Anna Karolina Zimber, que passou a administrar a empresa após sua morte.

ANOS 1950 à 1965.

Nessa época - anos 1950, não se falava corriqueiramente em agrônomo paisagista nem em arquiteto paisagista, nem em paisagistas. Falava-se em ´parques e jardins´. Quem trabalhava executando jardins em São Paulo eram empresas de jardinagem. Pelo que sei através de informações dessa época, uma das primeiras foi da família Dierberger, que no final do século XIX, tinha uma chácara de produção de mudas na atual Praça das Bandeiras. Os Dierberger existem até hoje, atualmente em Limeira. Essas empresas, regra geral, trabalhavam suportadas num triângulo: Produção de mudas + Projetos + execução.

E nessa linha surgiu o Germano Zimber, onde comecei trabalhando, que deve ter começado nos anos 1930. Criou assistentes que abriram suas próprias empresas ena região da capital de São Paulo: Alfred Mainard (Jardins Tropicais Ltda), Armin Stohl e Bernard G. Lux, Walter Doering (Bomjardim Ltda). Germano escreveu o livro "Jardins de hoje", lá por 1946. Era um artista e desenhou em aquarelas flores de árvores, em especial de Quaresmeiras, mais tarde publicadas por Carlos Lacerda, lá por 1970. Essas duas obras podem ser encontradas em sebos. Enfim, nos anos 1950, na cidade de São Paulo, o tema jardins estava mais vinculado à empresas de execução que também projetavam numa espécie de ´único pacote´. Havia um vinculo com floricultura e até com fruticultura, e existiam alguns raros autônomos que também trabalhavam na área, a maioria de origem alemã: Blossfeld, Decker, e um outro cujo nome não me recordo. Existia a Chácara Marengo no bairro Tatuapé e meus amigos Karl Krieg (também formado numa Gartenkunst) e Victor del Mazzo Suáres, argentino radicado no Brasil. A destacar ainda, o clube de jardinagem das senhoras inglesas, o São Paulo Garden Club, fundado em 1939, o primeiro clube de jardinagem do Brasil. No final da década de 1950, começou a surgir as publicações e artigos de nosso colega e amigo eng, agr. Hermes Moreira de Souza, da Seção de Olericultura e Floricultura do IAC- Instituto Agronômico de Campinas.

Até 1965. Sobre a bibliografia no Brasil.

O que existia até essa data, de meu conhecimento e acesso era muito pouco. Existia ainda uma série de publicações da Editora Chácaras e Quintais, que atuou no Brasil desde 1909 até os anos 1970, fundada por Amadeu Amadei Barbiellini, um italiano que chegou ao Brasil em 1907. Entre outras publicações lançou a "Floricultura Brasileira". A "A Companhia Melhoramentos de São Paulo" também publicou uma série de livros sobre Floricultura e Jardinagem, escrotos por João S. Decker e em 1965, "Jardinagem" de Harry Blossfeld.
Existia, pasmem, uma publicação de 1916, em francês da ´Secretaria da Agricultura, Comércio e Trabalho do Estado de São Paulo´: " Les Bois Indigènes de São Paulo"por Edmundo Navarro de Andrade (1881/1941) e Octavio Vecchi; o único dessa época, era incipiente, comparativamente aos avanços de botânica de hoje, e que tratava das madeiras de lei de nossas matas ( Vide FOTOS abaixo ) .

Nos anos de 1940/1950 surgiram muitas publicações científicas sobre a vegetação nativa do ESP, publicadas pelo Instituto de Botânica de SP, inclusive uma sobre espécies arbóreas potenciais para "Arborização Urbana", F.C.Hoehne, de 1944. (Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio) (Veja-se entre outros F.C.Hoehne, M. Kuhlmann). Infelizmente, nada fácil transpor para a prática do paisagismo.
Quando comecei aos 17 anos, a "Bíblia" dos paisagistas era o livro "EXOTICA", de Alfred Byrd Graf (1901/2001), com milhares de fotos, que estava em primeira edição, editado nos EUA, e distribuído no mundo todo. Hoje, em nossa biblioteca possuímos a 6ª edição, com 12.000 fotos. O mesmo autor, em 1978, publicou uma edição revista e reformulada em cores, a ´TROPICA´, com 7.000 fotos coloridas.
Enfim, em nível de informação para brasileiros, existia muito pouco.


Fig. 1.- Acima, duas pranchas do "Sertum Palmarum Brasiliensium" - Coleção das palmeiras brasileiras, de J. Barbosa Rodrigues, desenhadas ao final do século XIX e impressas em cromolitogravura, na Bélgica em torno de 1910.


Fig. 2 - Mostra a dimensão da bibliografia a mim acessível nos final dos anos 1950. Ao alto à esquerda, encadernação da revista "Gartenkunst", lançada aproximadamente em 1887 e que existe até hoje sob o nome "Garten und Landschaft", o ´dicionário´ "Exótica" editado nos EUA, "Lés bois indigènes de São Paulo" sobre as espécies arbóreas nativas no estado. E outras.


Fig 3 - "Quaresmas do Brasil", aquarelas e ou guaches de Germano Zimber, anos 1940/1950, posteriormente impressas por Carlos Lacerda.

CURSO DE AGRONOMIA NA ESALQ, 1959/1963. Em 1959, entrei na ESALQ, em Piracicaba, e por necessitar recursos financeiros para pagar a "República" comecei a projetar e executar pequenos jardins residenciais na cidade. Afinal não era leigo, tinha trabalhado uns bons meses na CASA FLORA. Anunciei nos jornais. Minha primeira cliente foi Madre Rosária, que me pediu um pequeno trabalho numa espécie de igreja; ela me procurou na "república" e eu não sabia onde enfiar a cara: uma freira numa república de estudantes! Por indicação do Professor Heitor Pinto Cesar, de Horticultura, a esposa de Leopoldo Dedini me chamou para acompanhar seu jardineiro que passou também a me ajudar nos outros serviços que apareceram. Fiz muitos pequenos jardins em Piracicaba. Alguns professores da escola me chamaram e assim fui indo. O Senhor Leopoldo depois insistiu para que eu aprendesse alguma coisa com um amigo seu, um senhor chinês, muito rico, que conhecia a jardinagem de seu país, e que morava no Morumbi em São Paulo; fui visitá-lo e passei uma tarde com ele. E assim fui formando uma bagagem profissional inteiramente vinculada ao paisagismo. Muita gente me ajudou.
Entendo que meu grande mestre foi ROBERTO COELHO CARDOZO, que me foi apresentado lá por 1961, por Dona Ana Karolina. Cardozo era de origem portuguesa e estudou Arquitetura Paisagística (AP), em Berkeley, CA, EUA; foi aluno de Garret Eckbo, um dos mais proeminentes arquitetos paisagistas norte americanos. Na época Cardozo era professor catedrático de Arquitetura Paisagística, da FAU-USP. Cardozo virou um mestre para mim, ensinou-me as relações entre vegetação e espaços (contrariamente á ideia geral de "arranjos" paisagísticos); o que interessa é a vegetação criando e organizando espaços. Mostrou-me algumas obras suas, um viveiro que organizava em Cotia. Estagiei em seu escritório, ocasionalmente, durante as férias e após formado.

POSTURA PROFISSIONAL. Em Berkeley, segundo me informou, Coelho Cardozo formou-se como arquiteto paisagista em base a uma carga horária resumida em 3 anos de Horticultura e 3 anos de Arquitetura. Em 1961 ou 1962 pediu-me que apresentasse o Diretor da escola de Agronomia onde eu estudava, pois pretendia propor uma espécie de parceria em AP entre FAU e ESALQ, ambas da USP, em base a esse mesmo conceito de carga horária. Roberto veio à Piracicaba, pegou-me na ´republica´ e fomos para a escola e falamos com o Prof. Salim Simão, então Diretor da ESALQ. Infelizmente não deu certo; pareceu-me que a proposta não sensibilizou a Diretoria da ESALQ. Entretanto, essa coparticipação sempre passou a me orientar minha vida profissional como paisagista na elaboração dos projetos: Isso virou regra para nós.

DIRETRIZ: O projeto de ´arquitetura paisagista´ no Brasil, deve ser forçosamente um trabalho de equipe, em condições igualitárias de um agrônomo e de um arquiteto. Ou seja, um trabalho em coautoria.


O PARQUE DA ESALQ. Piracicaba, SP.
Nessa linha de exposição tenho de mencionar o "muito comentado", entre nós alunos e ex-alunos, Parque da ESALQ. Nossa escola está implantada num Parque planejado e executado por Arsène Puttemans (1873/1937), urbanista e paisagista belga, a partir de 1905. Situa-se numa área de 50.000m2 e planejado no estilo naturalista inglês, o que o torna único no Brasil. Foi tombado em 2006, pelo CONDEPHAAT/ ESP, "pelo pioneirismo do traçado orgânico". Arsène Puttemans (segundo informações na internet, portanto a confirmar) teria sido professor na ESALQ de Parques Jardins e Paisagismo entre 1905 e 1915. . O que é bem provável, pois tradicionalmente "HORTICULTURA compreende diversos temas, tais como "Paisagismo". Esse parque, com o correr dos anos, sofreu algumas alterações em relação ao projeto original. Perdeu algumas das visuais, que propiciavam visões entre pontos mais distantes, com efeitos de perspectiva, pois justamente nas visuais foi executado um novo prédio (da biblioteca, rever). Foram plantadas algumas árvores comemorativas que afetaram um pouco o equilíbrio entre espaços abertos gramados e maciços arbóreos. E também algumas espécies foram retiradas, entre as quais um maciço de uma ´palmeira trepadeira´, espécie pouco comum´, bem em frente do pavilhão principal - o que ocorreu aproximadamente em 1963, pois eu ainda cursava a ESALQ. Esta palmeira pertence ao gênero Calamus, e é caracterizada por "caules múltiplos, finos, formando touceira densa, ascendentes, flexíveis e recurvados ..." (conforme descrição de Harri Lorenzi em ´Palmeiras no Brasil). Embora seja uma espécie agressiva, fiquei muito triste, pois no parque da ESALQ, por ser de uma escola ligada à natureza e botânica, ela cabia perfeitamente e seria fonte de estudos e inspiração.
Críticas à parte, bem cuidado e administrado, indispensável deixar bem claro: o Parque da ESALQ é um dos raros parques brasileiros com mais de UM SÉCULO DE VIDA.


Foto. Projeto de Arsène Puttemans (1873/1937). Vista do Parque da ESALQ à partir das proximidades da entrada. Observe-se o enquadramento de uma ampla visual.


Foto. Desde a entrada, passa-se por amplos bosques, visuais e, de repente, observa-se o edifício principal da ESALQ.


Foto. Vista do parque a partir do pavilhão central.


Foto. Vista dos maciços arbóreos que compõem o Parque da ESALQ. Fotos ano 2011.

Parque Dom Pedro II.- São Paulo. SP.

Arsène Puttemans foi também foi o autor do projeto de paisagismo do parque do Ipiranga em São Paulo, incluindo as margens do Rio Tamanduateí, em sequencia ao mesmo, até a baixada do Carmo, quando passou a ser denominado de Parque Dom Pedro II. Infelizmente essa segunda parte do parque nas margens do Tamanduateí praticamente se perdeu com a expansão urbana, avenidas cada vez mais largas, culminando com uma avenida sobre o próprio rio, cobrindo-o totalmente sob ponto de vista visual, como se observa atualmente. Possuímos um registro de fotografias nossas de 1968 .


1968


Jogos no Parque Dom Pedro II 1968


Margens do Rio Tamanduatei 1968

Acima, Fotos do parque Dom Pedro II em São Paulo, ano 1968, cujo projeto é de Arsène Puttemans (1873/1937), o mesmo autor do parque da ESALQ. Observem que nesse ano de 1968, tínhamos pessoas em lazer passivo, junto com crianças. Entretanto, já se constata um estado de abandono. Infraestrutura necessitando de reparos, pedras abandonadas à beira rio. O Parque sendo consumido pelos avanços da urbanização descontrolada. Arquivos de nosso escritório.

Aguarde a Segunda Parte no Próximo número da Revista.

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1 - Autor: Lêda Alencar - Data: 14/03/2019 12:55:13

Não sou da área, mas tenha especial interesse por arquitetura, paisagismo, jardinagem, produção de alimentos, enfim, dos conhecimentos que nos conduzam à melhor relação com o nosso planeta azul.


AuE Responde: Olá Leda, parabéns pelo seu interesse! O autor desta matéria é um grande especialista na área!




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