Quando a coragem floresce: a jornada de Luana Oliveira do sonho ao sucesso no paisagismo
Autor: Brenda de Melo Esteves - Data: 04/03/2026Você pode já ter se encantado por um jardim recém-plantado em Ribeirão Preto sem saber que ele nasceu da ousadia de uma engenheira que decidiu mudar de vida. Luana Oliveira é engenheira agrônoma de formação, mas foi no paisagismo que encontrou propósito, liberdade e um negócio que hoje é referência na cidade. À frente da Varanda da Planta Paisagismo, ela construiu uma trajetória que começou com ousadia, e uma nota fiscal guardada como marco fundador.

Formada em 2009, Luana passou os primeiros anos da carreira vendendo insumos para usinas de cana-de-açúcar. Tinha estabilidade, visitava grandes empresas, ocupava um cargo respeitável. Mas não era feliz. O salário era baixo, o trabalho não preenchia. O paisagismo, que sempre a encantou na faculdade, ficava como um desejo adormecido, até o dia em que ela decidiu agir.
Ao passar em frente a uma grande obra de telecomunicação na cidade, viu um talude degradado e enxergou ali uma oportunidade. Procurou o responsável, marcou reunião, apresentou proposta. Não tinha equipe, ferramentas ou experiência prática em grandes execuções. Ainda assim, fechou contrato. Comprou carrinhos de mão, ferramentas, montou uma equipe com cinco pessoas incluindo um vizinho jardineiro, e executou seu primeiro grande projeto. Era 9 de novembro de 2012, data da primeira nota fiscal emitida. Ela guarda esse documento até hoje como símbolo do começo.
"A história começou muito bonita, porque teve uma vez que eu estava saindo do serviço passei na frente de uma obra (...) E eu falei assim nossa, eu podia abrir uma empresa de paisagismo, né? Porque eu gosto tanto de plantas, eu gosto tanto de mexer com as coisas e é muito mais rentável do que o que eu tô fazendo hoje."
De lá para cá, foram 14 anos de crescimento estruturado. Sem loja física, mas com estratégia clara. A empresa funciona em uma chácara onde Luana mora: parte do espaço virou QG, com estoque de insumos, ferramentas, área de armazenamento de plantas e sala para reuniões com hora marcada. A operação é enxuta: quatro funcionários fixos e contratações pontuais conforme a demanda das obras. Ela evita “dar um passo maior que a perna” e prefere projetos residenciais, casas em condomínios e áreas de porte médio, serviços que consegue coordenar sozinha, com controle total da qualidade.
A captação de clientes evoluiu com o tempo. No início, era porta em porta. Ela entrava em condomínios, visitava obras, buscava contatos. Se não recebia o telefone do proprietário, encontrava na nota fiscal da construção e ligava diretamente. Hoje, soma a essa postura ativa o Instagram, anúncios no Google e, principalmente, a força da indicação. Quando está executando um jardim, a vizinha observa, pergunta, recomenda. Segundo ela, quando a indicação chega no momento certo, 80% do negócio já está fechado.
"No início da minha profissão, lá atrás, há catorze anos, a gente batia de porta em porta. (...) Eu entrava nos condomínios, visitava as obras, pegava o número do cliente. (...) Se ninguém quisesse me dar o nome do cliente, eu pegava uma nota fiscal que tava por ali, pegava o nome do cliente e ligava para os clientes (...) Hoje a gente usa muito o Instagram e o Google, que são ferramentas que a gente paga e eles entregam o nosso nome para as pessoas."
O modelo de trabalho é claro e estruturado. A visita inicial não é cobrada. Ela fotografa o espaço, entende insolação, metragem, escuta referências do cliente, e propõe um projeto em fotomontagem. Esse projeto tem valor simbólico, e pode ser usado pelo cliente mesmo que ele opte por executar com outra equipe. Para Luana, é uma questão de posicionamento: projeto é consultoria técnica, não brinde. Ela demorou anos para assumir essa postura, mas hoje defende que monetizar o conhecimento é parte da profissionalização do setor.
Com o uso do PhotoLANDSCAPE, ferramenta da AuE Software que conheceu em um congresso em São Paulo, o tempo de produção caiu drasticamente. Com ele, hoje entrega uma casa padrão em cerca de três horas. O software se tornou instrumento de venda: é com a fotomontagem que ela materializa o jardim que estava apenas na cabeça e transforma ideia em decisão de compra.
“Não dá para vender um jardim de quinze mil reais só na conversa”
A tecnologia também ganhou reforço com o uso de inteligência artificial para limpar imagens de obra antes da montagem e melhorar acabamentos visuais. Para ela, a IA é apoio ao profissional, nunca substituto da técnica. O olhar técnico é o que define se uma planta é adequada ao sol, à sombra, ao crescimento futuro, à manutenção. Sem isso, o risco é entregar algo bonito no primeiro dia e problemático no terceiro mês.
Sobre o mercado, Luana é direta: paisagismo tem sazonalidade. Plantas entram e saem de moda. Oliveiras, palmeiras imperiais, jardins tropicais, folhagens minimalistas, tudo é cíclico. Cabe ao profissional entender a estética desejada pelo cliente, analisar arquitetura da casa e propor soluções coerentes. Quando não há referência, ela parte para um estilo contemporâneo equilibrado e ajusta conforme o feedback.




No projeto realizado para o SESI em Ribeirão Preto, ela executou cerca de 300 metros quadrados de área que antes estava degradada, com grama rala e poucas palmeiras antigas. Após 30 dias de trabalho, o espaço se transformou em área de convivência integrada entre escola e clube. O resultado foi tão impactante que virou material publicitário da instituição. Hoje, o jardim é referência local e caso emblemático de revitalização.
"E foi um caso de sucesso, porque era uma área assim, totalmente degradada, Não tinha nada. Grama rala. Só tinha palmeiras altas que já eram da época da construção."





Quando fala com quem está começando, ela não romantiza. Antes de pensar em plantas, recomenda curso de empreendedorismo. É preciso entender de nota fiscal, imposto, fluxo de caixa, vendas, separação entre finanças pessoais e empresariais. A maior dificuldade, segundo ela, é aprender a vender. Muitos têm talento técnico, mas travam na prospecção. É preciso perder o medo do “não”, bater na porta, pedir oportunidade, criar canal de relacionamento.
Luana conhece bem os dois lados. Já foi CLT, já teve salário fixo e pouca satisfação. Hoje trabalha mais horas, não pode simplesmente “ficar doente” sem reorganizar a agenda e sente o peso das responsabilidades, especialmente agora, grávida, conciliando obra, reuniões e gestão. Mas encontrou propósito. E é isso que sustenta a rotina intensa.
Ao olhar para trás, você percebe que a história dela não começou com estrutura pronta, mas com iniciativa. Uma visita à obra, uma proposta ousada, uma equipe montada às pressas. O resto foi construção diária, aprendizado técnico e posicionamento firme.
Se você pensa em entrar no paisagismo, talvez a principal lição seja essa: talento ajuda, mas postura empreendedora sustenta. E um jardim bem planejado não nasce só da estética, nasce de decisão, estratégia e coragem de começar, mesmo sem carriola.
E aí, você gostou de conhecer essa história? Então aproveite para assistir ao vídeo completo no YouTube ou ouvir a entrevista pelo Spotify, é só clicar nos links abaixo.
Quer conhecer mais o Varanda da Planta Paisagismo? acesse:
https://varandadaplanta.com.br
@varandadaplantapaisagismo
contato@varandadaplanta.com.br
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