Quando o projeto vira ferramenta de venda: a experiência de Carlos Renzo no paisagismo
Autor: Brenda de Melo Esteves - Data: 21/01/2026
O paisagismo entrou na vida de Carlos Renzo antes mesmo de ele entender que aquilo se tornaria profissão. Ainda adolescente, entre os trabalhos ao lado do pai e o contato direto com plantas e produção, ele começou a desenvolver uma relação prática e intuitiva com o verde. Anos depois, após uma passagem por outro segmento empresarial, o convite para coordenar o paisagismo de um grande empreendimento imobiliário o trouxe de volta ao setor e, dessa vez, de forma definitiva. Hoje, à frente da Verde Vida Espaço e Paisagismo, em Paulínia (SP), Carlos construiu uma trajetória baseada na execução de projetos, no atendimento direto ao cliente e na busca constante por ferramentas que tornem o processo mais ágil e comercialmente eficiente.

A volta ao paisagismo aconteceu entre 2010 e 2011, quando Carlos assumiu a coordenação de equipes em um loteamento completo. A experiência o colocou em contato com a dinâmica real das grandes implantações e ampliou sua visão sobre gestão de obras, relacionamento com fornecedores e logística de execução. Após concluir o empreendimento e, em seguida, participar da implantação de uma residência de grande porte, ele se viu diante de um momento decisivo: precisava reencontrar seu espaço no mercado fora dos canteiros de grandes obras. A resposta veio com a abertura da própria loja e com o fortalecimento de um modelo de negócio que une venda de plantas, execução e consultoria paisagística.
Localizada dentro de um sítio e próxima a regiões com forte crescimento imobiliário, a empresa passou a funcionar também como um espaço de experiência para o cliente. Para Carlos, o contato direto com as plantas é parte fundamental do processo comercial. Ele acredita que a percepção de textura, cor e escala das espécies ajuda o cliente a compreender melhor o resultado final e aumenta a segurança na tomada de decisão.
“Foto engana muito. Aqui o cliente consegue ver o produto real, entender como aquilo vai ficar no espaço dele”.
Apesar da estrutura física e da experiência acumulada, um dos maiores desafios no início da operação foi apresentar ao cliente uma visão clara do resultado final do jardim. Antes da adoção de ferramentas digitais, o processo era construído de forma manual, com referências em livros, imagens soltas e até montagens improvisadas dentro da própria loja. Essa limitação tornava o processo mais lento e, muitas vezes, dificultava o fechamento das vendas.
Foi nesse contexto que o uso de softwares especializados passou a desempenhar um papel estratégico dentro da empresa. Cliente desde 2016, Carlos encontrou na tecnologia uma forma de transformar a apresentação de projetos em uma ferramenta comercial. Segundo ele, o programa se tornou um aliado direto no processo de venda da implantação.
“Ele é um software que me ajuda a vender. Eu sempre falo que minha empresa não vive de projeto. O projeto é uma ferramenta para chegar na execução.”
A possibilidade de desenvolver fotomontagens rápidas e visualmente claras permitiu que ele passasse a apresentar ao cliente uma projeção fiel do resultado do jardim ainda na fase inicial da negociação. Isso reduziu incertezas e acelerou o processo de decisão.
“Eu consigo demonstrar exatamente como vai ficar o jardim. É rápido, dinâmico e com custo baixo para o cliente final”.
Ao longo dos anos, o uso do software também ajudou a profissionalizar o modelo de atendimento. Carlos percebeu que o desenvolvimento das imagens exigia tempo, deslocamento e conhecimento técnico. A partir dessa constatação, passou a cobrar um valor simbólico pela elaboração das fotomontagens, que posteriormente é abatido caso o cliente feche a execução com a empresa. A mudança trouxe mais valorização ao trabalho e reduziu perdas comuns no mercado.
“Antes eu mandava o projeto e nunca mais via o cliente. Hoje, se ele executa comigo, o valor é descontado. Se não executar, ele fica com o material e eu não perdi meu tempo.”
Além de facilitar a venda, o software também passou a desempenhar um papel educativo. Com ele, Carlos consegue demonstrar limitações técnicas, crescimento das espécies e impactos futuros do plantio inadequado. Essa visualização ajuda a evitar erros comuns, principalmente em projetos baseados apenas em referências visuais ou imagens geradas por inteligência artificial.
“Imagem bonita não é projeto. O projeto precisa ser funcional. Planta cresce, tem raiz, tem manutenção. A gente precisa pensar no médio e longo prazo.”

Essa abordagem tem sido essencial em um mercado cada vez mais competitivo. Segundo ele, uma parcela significativa dos atendimentos atuais envolve correções de jardins implantados sem planejamento adequado. Problemas com raízes, interferências estruturais e escolha errada de espécies são situações recorrentes. Para Carlos, o conhecimento técnico aliado à visualização digital permite antecipar esses riscos e transmitir mais confiança ao cliente.
A rotina de atendimento segue um fluxo bem definido. Grande parte dos contatos chega por indicação, redes sociais e buscas online. Após um primeiro levantamento das necessidades, ele realiza visitas técnicas para entender o espaço e as expectativas do cliente. Dependendo do perfil do atendimento, o projeto pode ser apresentado diretamente na residência ou na própria loja, onde ele utiliza o ambiente para explicar soluções e apresentar alternativas de composição.
Outro ponto que marca sua atuação é a valorização das parcerias. Carlos frequentemente trabalha na implantação de projetos desenvolvidos por arquitetos e outros paisagistas, assumindo a execução, fornecimento de insumos e coordenação da obra. Para ele, a construção de uma rede confiável de fornecedores e profissionais é um dos pilares do crescimento sustentável no setor.

O avanço do mercado imobiliário na região de Paulínia também contribuiu para o aumento da demanda por paisagismo. O surgimento constante de novos condomínios e empreendimentos ampliou o público interessado em áreas verdes, principalmente após a pandemia, quando a valorização do convívio com a natureza se tornou mais evidente. Ao mesmo tempo, esse crescimento trouxe desafios, como a concorrência com profissionais sem formação técnica e a necessidade constante de educar o cliente sobre a importância do planejamento paisagístico.
Dentro desse cenário, Carlos defende que a irrigação deve ser considerada parte essencial de muitos projetos, especialmente em regiões com variações climáticas intensas. Ele destaca que sistemas automatizados podem evitar perdas, garantir o desenvolvimento saudável das plantas e reduzir custos futuros de manutenção.

Outro tema que ele considera crítico para o setor é a qualificação da mão de obra. A experiência acumulada ao longo dos anos mostrou que a falta de treinamento adequado ainda compromete a qualidade de muitos serviços. Ele já participou da capacitação de equipes terceirizadas e acredita que o fortalecimento da formação técnica será um dos fatores determinantes para o crescimento profissional do paisagismo brasileiro.
Entre os projetos que marcaram sua trajetória, Carlos destaca trabalhos residenciais em condomínios de alto padrão, onde o acompanhamento pós-implantação permitiu observar a evolução saudável dos jardins ao longo do tempo. Para ele, esse retorno do cliente funciona como uma validação do planejamento e reforça a importância de unir estética, técnica e manutenção.

Mesmo após décadas de atuação, Carlos mantém uma postura de aprendizado contínuo. Autodidata, ele busca constantemente cursos, treinamentos e atualização profissional para acompanhar as transformações do mercado e as novas demandas dos clientes.
Ao olhar para quem deseja ingressar no setor, ele defende que o primeiro passo deve ser o desenvolvimento de base técnica sólida e experiência prática. Para Carlos, o paisagismo exige observação, responsabilidade e compreensão de que o jardim é um organismo vivo, em constante transformação. Mais do que criar composições esteticamente agradáveis, o profissional precisa entender o comportamento das espécies, o funcionamento do solo e as necessidades de cada ambiente.
Sua trajetória mostra que o equilíbrio entre conhecimento técnico, sensibilidade estética e uso inteligente da tecnologia pode transformar a forma de apresentar, vender e executar projetos. No caso de Carlos, o software deixou de ser apenas uma ferramenta operacional para se tornar parte estratégica do crescimento da empresa e da consolidação de seu posicionamento no mercado.
Para conferir todos os detalhes dessa conversa, o vídeo completo da entrevista está disponível logo abaixo. O conteúdo também pode ser acompanhado em formato de podcast, com episódio disponível no Spotify, trazendo a entrevista na íntegra para quem prefere ouvir e se aprofundar ainda mais na trajetória, experiências e visão de mercado de Carlos Renzo.
Veja também:
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