A paisagista Cláudia Casella mostra que é preciso mais que técnica no paisagismo

Autor: Adriana Corrêa - Data: 10/06/2005

Com doze anos de carreira como paisagista profissional, Claúdia Casella tomou gosto pelo ofício bem cedo, logo após a morte de sua mãe, que a introduziu no gosto pela natureza e no cultivo de jardins e pomares. Antes mesmo de se formar, recebeu um desafio e, desde então, vem acumulando expressivas obras no currículo. Com vários clientes famosos, como o Chitãozinho - da dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó - Luciano Huck e Alexandre Frota, a paisagista se tornou referência em projetos para bares, boites e casa noturnas no interior paulista, sobretudo em Campinas. Para ela, projetar é entrar no universo da outra pessoa, suas aspirações, preferências e recordações. O aroma de uma flor ou o gosto de uma fruta que remete aos bons tempos da juventude são detalhes que não lhe escapam do projeto. Tudo é baseado na conversa com o cliente, que sinaliza, inclusive, como será feita a preparação de um ambiente para a presença infantil.

AuE: O que a levou a se tornar uma paisagista?
Casella: Quando criança, gostava de observar a minha mãe nos serviços de jardinagem. Assim que completei 13 anos, ela faleceu. Depois disso, passei a apreciar ainda mais o contato com a natureza. Sei que a sua influência foi decisiva para o meu gosto pelo paisagismo. Acho que esta foi também a forma que eu encontrei de tê-la sempre por perto. Assim, decidi me dedicar a profissão. Fiz o curso na Arqtec Campinas e pouco antes de concluí-lo, recebi o desafio de um grande projeto para uma boite da cidade. Tive apenas dois meses para estudar o espaço e apresentar um projeto para o cliente. Era um projeto com base na arquitetura greco-romana e o jardim deveria acompanhar essa tendência. O resultado superou as minhas expectativas. Por conta disso, acabei recebendo vários outros convites e não parei mais.

AuE: Há preferência por algum estilo ao executar a obra?
Casella: Gosto de vegetação tropical para utilizar plantas nativas e aproveitar a diversidade da região. O clima é outro fator que influência nessa preferência, pois elas se adaptam melhor e ficam mais vistosas. Mas tudo isso varia de acordo com as aspirações de cada um. O que busco é adequar a obra à identidade do cliente, respeitando a arquitetura e a vegetação local.

AuE: Na sua opinião, o que é indispensável em um projeto?
Casella: Acho que é essa interação entre profissional e cliente. A obra deve atender as demandas de quem vai utilizar o espaço, ter a "cara" do proprietário. Ao mesmo tempo, é importante que o paisagista imprima a sua marca, por meio do conhecimento técnico e estilo pessoal. Mas para obter bons resultados é preciso um estudo aprofundado do projeto. Por exemplo, se houver crianças no local, o tratamento deve ser diferenciado. Será necessário levar em conta o lazer e a decoração. Há de se pensar nos detalhes para alcançar o sucesso do todo.

AuE: Qual a principal dificuldade e o que mais lhe dá prazer na profissão?
Casella: O que mais atrapalha o nosso trabalho é o cliente que não sabe o que quer, fica indeciso e muda de opinião com facilidade, pois é difícil agradá-lo ou mesmo criar um projeto que o identifique. Outro problema que enfrentamos com certa regularidade é o "modismo", que dificulta o encontro de determinados tipos de plantas no mercado. Mas a melhor parte é, sem dúvida, a concepção. Tenho imensa satisfação em conceber o projeto em cada um dos seus detalhes. Nesse sentido, o cliente perfeito é aquele que nos dá liberdade total de criação, pois não sofremos restrições no processo criativo.

AuE: Utiliza algum recurso na criação das suas obras?
Casella: Utilizo o software AutoLANDSCAPE, que tem facilitado muito o meu trabalho. Com esse recurso não perco mais tanto tempo na criação de um projeto como a algum tempo atrás. No dia-a-dia precisamos de agilidade e por isso faço uso da tecnologia.


AuE: Qual o seu último trabalho?
Casella: Um jardim residencial de 1000 m2, de propriedade do cantor Chitãozinho - da dupla Chitãozinho e Xororó. O projeto já foi aprovado e deve ser implantado até o final de maio. Nesse projeto havia uma grande preocupação com a privacidade do cliente, então utilizei ravenallas e outras vegetações para tornar o local visualmente inacessível para os vizinhos. A casa tem uma arquitetura clássica e o jardim segue essa tendência, com a maioria das plantas tropicais. Usei duas palmeiras imperiais para destacar a fachada e outras palmeiras triangulares.

AuE: Dentre os seus projetos, qual deles merece destaque?
Casella: Fiz algumas boites em Campinas, como a Casa Noturna do Luciano Huck e a Daharga, do Alexandre Frota. Também fui responsável pela praça em homenagem ao ex-prefeito de Campinas pelo PT, Antônio da Costa Santos, o Toninho, assassinado em 10 de setembro de 2001. Mas acho que o projeto do Campinas Hall, implantado a cerca de cinco anos, foi o mais marcante. Em uma área de 4.000 m2 de jardim executei o projeto tendo em mente o bem-estar e a interação das pessoas. No espaço, há grande diversidade de vegetação e um lago. Para manter o visual, oriento a manutenção da paisagem sempre que necessário.


Compartilhar:


Anterior Próximo

 eBook: Marketing Digital para Paisagistas

Comente esta matéria:
Nome:
E-mail:
6 + 3 = ?
Digite o seu comentário sobre a matéria:
Qual a sua avaliação sobre esta matéria ?



1 - Autor: Lúcia Helena Milet - Data: 15/02/2009

Oi Cláudia, antes de tudo parabéns pela sua escolha. Sua história em relação a sua mãe é parecida com a minha. Moro em Recife e herdamos dos nossos pais uma casa no interior de PE e gostaria de refazer o jardim que está muito danificado. Passamos 8 anos com o nosso pai doente e como mamãe faleceu há 15 anos, ele só tinha os filhos para cuidar e dar carinho. Seria possível você me enviar alguma foto de um jardim feito por você com base na arquitetura greco-romana e outra de um jardim que as plantas se adaptassem mais a um solo com muitas rochas, mas tem um clima ameno eum lago. Você poderia me ajudar? Estou passando uma fase muito difícil da minha vida e sei que plantar é a melhor das terapias. Estou precisando arrumar a força que vem da terra para me manter em pé. Se você puder atender esse meu pedido lhe serei eternamente grata. Um grande abraço, Lúcia Helena



2 - Autor: izabel couto - Data: 19/03/2008

Eu trabalhei com a claúdia casella a alguns anos atras,e sei do seu potencial e seu profissionalismo.ela é uma mulher batalhadora e competente e gosta do que faz!ela é merecedora do seu sucesso e de seu reconhecimento.gostria de parabenizar por mais esta vitória,e os trabalhos dela são excelentes!!!




Entrevista
Entrevista com o engenheiro Celso Bergamasco
Entrevista com o engenheiro Celso Bergamasco

Entrevista com o engenheiro Celso Bergamasco

Coluna do Usuário
Dicas Técnicas
Novidades
Arquivo
Edição Anterior

Revista AuE Paisagismo Ano 1 No 12 / Maio de 2005

Conteúdo completo

Lista com todas as Edições da Revista AuE Paisagismo Digit@l

Top 10

Matérias mais comentadas da revista

Projetos
Jardins Secos da Jardeco
Jardins Secos da Jardeco

Wilber Inácio Zamora Carrasco

Residência Flor do Sol
Residência Flor do Sol

Álvaro Drillard

Residência Oliveira
Residência Oliveira

Nataly Schröder

Residência Aflorar
Residência Aflorar

Nataly Schröder

Lista de Projetos

Lista com Todos os Projetos da Revista AuE Paisagismo Digit@l

Top 10 de Projetos

Lista com 10 projetos mais comentados

Agenda
Agenda de cursos

There is no row at position 0.

There is no row at position 1.

There is no row at position 2.

Agenda

Solicite o cadastro de seu evento em nossa agenda

Conversar no Whatsapp +55(32)3217-1501

X

AuE Paisagismo


Que tal se manter sempre informado das novidades do mundo do paisagismo? Informe seus dados para mantermos contato!





Revista no seu E-mail

*
*
*
9 + 1 = ? *