Ciclos Verdes: A Fascinante Reprodução das Plantas
Autor: Matheus Augusto P. Leôncio - Data: 30/01/2025
A reprodução é uma etapa fundamental que garante o sucesso e a perpetuação das milhões de espécies existentes no planeta Terra. Nas espécies vegetais, encontramos dois tipos de reprodução: assexuada e sexuada. A reprodução assexuada ocorre quando uma única planta dá origem a outro indivíduo idêntico a ela, formando um clone. Já a reprodução sexuada acontece por meio da recombinação genética e da união de dois gametas, garantindo maior variabilidade genética na espécie.
Através da estaquia conseguimos gerar mudas iguais a planta-mãe cortando pedaços do caule e até mesmo da folha.
A reprodução sexuada envolve a fecundação e a meiose. A meiose é um tipo de divisão celular que ocorre nos gametas (células reprodutivas), onde uma célula diploide (2n) reduz pela metade seu número de cromossomos, originando células haploides (n). Durante a fecundação, dois gametas haploides se unem, formando um zigoto (2n), que restaura o número total de cromossomos da espécie. Dessa forma, a meiose assegura que o número cromossômico se mantenha constante ao longo das gerações.
Nos vegetais, a reprodução sexuada está associada à alternância de gerações. Durante o ciclo de vida, há uma fase haploide, denominada gametófito (n), que se alterna com uma fase diploide, chamada esporófito (2n). O gametófito é responsável pela produção dos gametas, que, ao se unirem, formam o zigoto (2n), dando origem ao esporófito. Por meio da meiose, esse esporófito gera esporos haploides, que originarão novos gametófitos, completando o ciclo.
Briófitas:
As briófitas são plantas de pequeno porte que se destacam pela ausência de vasos condutores de seiva (xilema e floema), como vimos em Seiva e os Sistemas de Condução nas Plantas , sendo assim classificadas como plantas avasculares.
Na reprodução assexuada, a fragmentação do corpo da planta pode gerar novos gametófitos (n), assim como a produção de gemas, que também originam novos indivíduos.
A reprodução sexuada das briófitas é dependente da água. Os gametas masculinos, chamados anterozoides (n), são produzidos no anterídio e liberados na presença de água. Eles nadam até o arquegônio, onde está a oosfera (n), o gameta feminino. A fecundação resulta em um zigoto (2n), que se desenvolve em um esporófito (2n). Esse esporófito, por meiose, produz esporos (n), que germinam e originam novos gametófitos, reiniciando o ciclo.
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Pteridófitas:
As pteridófitas foram o primeiro grupo de plantas a desenvolver vasos condutores, permitindo a absorção e transporte de água e nutrientes. No entanto, ainda dependem da água para a reprodução.
Usemos as samambaias como exemplo para falar sobre esse grupo de plantas. As samambaias apresentam como fase mais duradoura o esporófito (2n) que irá produzir através da meiose esporos, originando um conjunto de células haploide, denominadas gametófito(n).
Nas pteridófitas as folhas que possuem função reprodutiva, já que ela não apresenta flores ou sementes. Na porção inferior dos folíolos se encontra os esporângios, os soros. No esporângio que são produzidos os esporos.
Após liberar os esporos no ambiente, eles ao entrarem em contato com o solo úmido germinam e produzem um protalo laminar. O protalo é o gametófito e na sua fase inferior são encontrados anterídios e arquegônios. São os anterídios que liberam os anterozoides flagelados que nadarão até o arquegônio e fecundarão a oosfera presente no seu interior, originando assim um zigoto que posteriormente se tornará um novo esporófito. O esporófito quando jovem retira os nutrientes do gametófito e, conforme vai se desenvolvendo se torna independente, e o gametófito regride.
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Gimnospermas:
As gimnospermas são plantas vasculares com sementes, mas sem frutos, pois suas sementes ficam expostas.
A reprodução ocorre através de estruturas chamadas estróbilos (ou cones), que produzem esporos. O estróbilo masculino (microsporângio) gera micrósporos (n), que originam o grão de pólen (gametófito masculino). O estróbilo feminino (megasporângio) produz megásporos (n), que originam o gametófito feminino.
A polinização acontece quando o pólen é transportado pelo vento até o óvulo. O grão de pólen germina, formando o tubo polínico, que conduz os gametas masculinos até a oosfera (n). Um dos gametas fecunda a oosfera, formando o zigoto (2n), que se desenvolve em um embrião protegido dentro da semente. Quando a semente encontra condições favoráveis, germina e dá origem a um novo esporófito.
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Angiospermas:
Conhecidas também como magnoliófitas, as angiospermas representam o maior e mais moderno grupo de plantas, com cerca de 450 mil espécies catalogadas até hoje, isso representa 90% de toda flora mundial. As angiospermas são caracterizadas pela capacidade de produzir flores e frutos.
Flor:
A flor é a estrutura reprodutiva das angiospermas. Suas partes estéreis incluem pétalas e sépalas, enquanto suas partes reprodutivas são os estames (androceu) e carpelos (gineceu). Os estames formam a parte masculina da flor e são compostos pelo filete e pela antera. A antera é o local onde ocorre a formação dos grãos de pólen (n), que contêm o gametófito masculino. Os carpelos formam a parte feminina da flor e contêm os óvulos. O carpelo é dividido em três partes:
Estigma: região que recebe o grão de pólen.
Estilete: canal por onde o tubo polínico se desenvolve.
Ovário: estrutura onde os óvulos estão localizados.
Após a polinização, o pólen germina e forma o tubo polínico, que cresce em direção ao óvulo. O gameta masculino (n) percorre esse tubo e fecunda a oosfera (n), formando um zigoto (2n), que dará origem ao embrião.
Além da produção de gametas, as flores possuem também a função de atrair polinizadores, compensando a falta de mobilidade do vegetal. A presença de néctar e de pétalas coloridas são exemplos de características que fazem com que várias espécies animais sejam atraídas garantindo assim a polinização cruzada.
É considerada uma flor completa (ou perfeita) a flor que apresenta os quatro verticilos (cálice, corola, androceu e gineceu) e incompleta (ou imperfeita) quando um ou mais deles estão ausentes. Quando a flor apresenta apenas estames são chamadas de estaminadas, e quando apresentam só carpelos são chamadas de carpeladas. Se a planta apresentar flores estaminadas e carpeladas no mesmo indivíduo são chamadas de monoicas, se as flores estaminadas estiverem em um indivíduo e as carpeladas em outro chamamos de dioicas.
Em várias espécies de angiosperma as flores estão agregadas umas às outras, nesse caso denominamos de inflorescência. Existem diversos tipos de inflorescência como a espádice, o capítulo, o amentilho e o corimbo.
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Fruto:
Os frutos são originados do desenvolvimento do ovário da flor após a fecundação. Eles desempenham um papel fundamental na dispersão das sementes, protegendo-as e facilitando seu transporte por meio de agentes como o vento, a água e os animais.
Algumas plantas podem desenvolver frutos sem fecundação, chamados de frutos partenocárpicos, como a banana.
Além disso, há estruturas que são popularmente chamadas de frutos, mas que, biologicamente, não derivam do ovário. Essas estruturas são denominadas pseudofrutos.
Exemplos incluem:
Pseudofruto simples: o caju, cujo pedúnculo floral se expande.
Pseudofruto agregado: o morango, formado pelo receptáculo floral.
Pseudofruto múltiplo: o abacaxi, originado de uma inflorescência.
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Os frutos podem ser classificados de acordo com sua estrutura em carnosos (como a laranja e o tomate) ou secos (como o amendoim e o feijão).
Nos programas da AuE, ao cadastrar os 3D novos a categoria Folha e frutos ou similares/ Folhas e flores ou similares/ Somente flores ou similares são selecionadas para incluir o modelo que apresente as características evidenciadas na opção. Devido a diversidade biológica encontrada no Reino Plantae incluímos o complemento " ou similares " para abranger as espécies que não possuem flores ou frutos, mas que possuem estruturas com finalidade semelhantes, como é o caso dos cones no grupo das Gimnospermas e em algumas Pteridófitas.
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As plantas apresentam diferentes estratégias reprodutivas que garantem sua perpetuação e dispersão no ambiente. Desde as briófitas, que dependem da água para a fecundação, até as angiospermas, que desenvolveram frutos para auxiliar na dispersão das sementes, a evolução das plantas demonstra a adaptação desses organismos a diversos ambientes. O desenvolvimento de estruturas como sementes e flores permitiu uma maior eficiência na reprodução, garantindo a grande diversidade vegetal encontrada no planeta.
Referências:
Briófitas
Reprodução das pteridófitas
Gimnospermas
Angiospermas
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