Cultivar paisagens, cultivar conhecimento: a trajetória de Marta Yorki Strubing
Autor: Jeaninne Burgoa Valle - Data: 30/04/2026Uma paixão que floresceu naturalmente
Existem profissionais que escolhem o paisagismo como profissão. Outros descobrem, ao longo da vida, que ele sempre fez parte de quem são. A história de Marta Yorki Strubing pertence ao segundo grupo. O que começou como uma curiosidade pelas plantas transformou-se, com os anos, em uma carreira construída sobre estudo, observação e do prazer de descobrir algo novo todos os dias.
"Começou como um passatempo... um passatempo que foi me interessando cada vez mais, mas sempre mais voltado para as plantas. Lia muito sobre botânica", relembra.
Formada em Análise de Sistemas, ela não imaginou que sua carreira seria construída entre árvores, flores e jardins. O interesse pelas plantas surgiu muito antes dos primeiros projetos e cresceu de forma espontânea, até transformar completamente seu caminho profissional.
Curiosamente, sua formação universitária seguiu um caminho completamente diferente. Marta responde com o bom humor que marca toda a entrevista:
"Eu sou analista de sistemas... embora você não acredite. Mas eu gosto de barro."
A frase arranca sorrisos. O que começou como um interesse pessoal rapidamente se tornou uma busca constante por conhecimento. Em vez de limitar sua curiosidade, Marta mergulhou no estudo da botânica, pesquisou espécies, leu livros especializados e passou a enxergar cada planta como um universo próprio.
Muito além da teoria
Ela não se contentava apenas com a teoria. O aprendizado precisava acontecer também na prática. Cada nova informação era testada, observada e comparada com a realidade. Essa vontade de compreender o comportamento das plantas a levou a manter um viveiro por quase dez anos.
Enquanto muitas pessoas concentravam a atenção nas espécies mais conhecidas, Marta seguia outro caminho. Gostava justamente de descobrir plantas pouco utilizadas e entender o potencial que elas poderiam oferecer aos projetos.
Durante a entrevista, ela destaca que o paisagismo é uma profissão multidisciplinar e que exige uma formação muito mais ampla do que muitos imaginam. Conhecer espécies vegetais é fundamental, mas apenas uma parte do processo.
"O paisagismo é multidisciplinar. Só conhecer o elemento que vou utilizar, que normalmente são as plantas, não me faz paisagista."
Foi então que começou uma nova etapa de aprendizado. Estudou desenho técnico, aprofundou seus conhecimentos em diferentes áreas, viajou, visitou jardins e buscou referências que ampliassem sua maneira de compreender os espaços. O projeto paisagístico envolve arquitetura, proporção, composição, solo, clima, circulação, percepção dos espaços e inúmeros outros elementos que precisam dialogar entre si.
À medida que ampliava seus conhecimentos, os projetos se tornavam mais completos e os clientes passavam a confiar cada vez mais em seu trabalho. O que antes eram pequenos jardins deu lugar a espaços maiores e desafios cada vez mais complexos.
"As pessoas começaram a confiar mais em mim. Os jardins foram ficando maiores, os trabalhos mais interessantes, e eu fui me dedicando cada vez mais ao desenho de espaços exteriores."
Essa percepção acompanha toda a sua maneira de projetar. Cada jardim precisa dialogar com a arquitetura, respeitar as características do terreno, considerar o clima e, principalmente, atender às necessidades de quem irá viver aquele espaço.
Projeto no AutoLANDSCAPE
Projeto executado
Aprender nunca deixa de fazer parte da profissão
Mesmo depois de décadas de experiência, Marta fala sobre aprendizado como se estivesse apenas começando. Ao longo da entrevista, fica evidente que a busca por conhecimento continua sendo uma das principais motivações de sua carreira. Novas espécies, diferentes técnicas e outras formas de projetar fazem parte de um processo de atualização constante.
Essa postura explica por que sua trajetória foi construída de maneira tão consistente. Em vez de acreditar que já havia aprendido o suficiente, ela sempre enxergou cada projeto como uma oportunidade para continuar evoluindo. É uma filosofia simples, mas que atravessa toda a sua história: a de que o paisagismo acompanha a natureza e, assim como ela, está sempre em transformação.
Ao longo de sua trajetória, Marta buscou referências em grandes nomes do paisagismo e da arte, mas acredita que a melhor escola continua sendo a própria natureza.
Quando perguntada sobre quem a inspira, ela cita Roberto Burle Marx, lembra de artistas como Claude Monet e comenta até mesmo a admiração pelo jardim de Nelson Mandela, destacando a diversidade de espécies que conheceu por meio dessas referências. No entanto, sua resposta termina revelando aquilo que realmente orienta seu trabalho:
"A natureza mesma ensina tanto, diz tanto... ajuda muito na criação."
Mais do que seguir um estilo específico, Marta acredita que observar a natureza continua sendo a maior fonte de aprendizado para quem trabalha com paisagismo. É nela que encontra novas combinações, texturas, volumes e inspirações que, mais tarde, se transformam em projetos.
Paisagismo começa com uma conversa
Embora reconheça a importância das redes sociais, Marta explica que seu trabalho sempre cresceu principalmente por indicação de clientes. Para ela, o primeiro contato não deve começar com um orçamento, mas com uma conversa.
Antes de pensar em espécies ou soluções, ela procura entender quem é o cliente, como vive e o que espera daquele espaço.
"Vamos conversar. O que você gosta? O que você quer sentir? Como quer se sentir na sua casa ou no seu escritório?"
Essa troca de informações faz parte do processo criativo. Conhecer a rotina da família, saber se há crianças, animais de estimação ou se os moradores viajam com frequência são detalhes que influenciam diretamente as decisões do projeto.
Para Marta, um projeto paisagístico não pode ser tratado como um pacote pronto. Cada espaço precisa ser pensado a partir das necessidades de quem irá vivê-lo.
Integrar arquitetura e paisagem desde o início
Outro ponto que Marta considera fundamental é a participação do paisagista desde as primeiras etapas do projeto arquitetônico. Segundo ela, o ideal é que arquiteto e paisagista trabalhem juntos desde o início, conhecendo o cliente e planejando os espaços de forma integrada.
"Há trabalhos tão bonitos que a gente não percebe onde termina um e começa o outro."
Ela acredita que essa integração também deveria fazer parte da formação universitária de arquitetos, agrônomos e de todos os profissionais que atuam com o ambiente construído. Mais do que adaptar um jardim ao final da obra, Marta defende que o paisagismo seja pensado desde o primeiro momento, respeitando as características naturais do terreno e valorizando o entorno.
"Cada lugar tem sua energia. Cada planta tem sua energia."
O paisagismo no Paraguai e os desafios da profissão
Ao longo de sua trajetória, Marta também acompanhou a evolução do paisagismo no Paraguai. O cenário que encontrou quando começou era bastante diferente do atual, tanto em relação ao reconhecimento da profissão quanto ao acesso à informação e às ferramentas de trabalho.
Ela acredita que esse crescimento foi resultado da dedicação de muitos profissionais que ajudaram a fortalecer a área e a mostrar a importância do paisagismo na qualidade de vida das pessoas.
Durante a conversa, Marta também comenta sobre a influência que o Brasil exerceu em sua formação. Sempre que podia, buscava referências, visitava jardins, participava de cursos e acompanhava o trabalho de profissionais brasileiros para ampliar seus conhecimentos.
Essa troca de experiências foi essencial para construir uma visão mais ampla da profissão, mas sem deixar de valorizar as características e as espécies presentes no Paraguai. Para ela, cada região possui sua própria identidade, e compreender essa realidade é um dos papéis do paisagista.
Ao falar sobre irrigação em Paraguai, Marta explica que um sistema de rega é essencial para a realidade climática do Paraguai, mas faz um alerta: instalar o sistema é apenas o começo.
Segundo ela, as plantas crescem, as estações mudam e, com isso, a irrigação também precisa ser ajustada ao longo do tempo. Sem esse acompanhamento, problemas como fungos e pragas podem surgir com facilidade.
Uma frase resume bem essa ideia: "As plantas não morrem de ataque cardíaco. É um processo."
Para Marta, observar o jardim faz parte da manutenção. Quanto mais cedo os sinais são percebidos, maiores são as chances de corrigir qualquer problema antes que ele comprometa a saúde das plantas.
No fim das contas, cuidar de um jardim exige tempo, atenção e envolvimento. Como ela mesma comenta durante a entrevista, é preciso "amar o jardim, amar as plantas, amar o verde".
A tecnologia como parceira desde o início
Entre as lembranças de sua carreira, um momento aparece com bastante entusiasmo: o primeiro contato com o AutoLANDSCAPE. Marta conta que conheceu o software em 2003, por meio das revistas da AuE Software. Ela participou de um curso ministrado por Gustavo Winter, onde ele apresentou o programa, e ela decidiu incorporar a ferramenta ao seu dia a dia. Desde então, o programa passou a fazer parte de praticamente todos os seus projetos.
Quando Guilherme pergunta há quanto tempo ela utiliza o software, Marta responde sorrindo: "Desde 2003", em seguida, brinca: "Já sou quase acionista."
O comentário descontraído resume uma relação construída ao longo de mais de duas décadas. Mais do que acompanhar a evolução do software, Marta fez dele uma ferramenta indispensável em sua rotina profissional. Ao falar sobre essa experiência, ela é categórica:
"...desde esse momento que não consigo imaginar trabalhar sem o sistema, essa é a verdade."
Ao longo da entrevista, ela explica que o AutoLANDSCAPE facilitou o desenvolvimento dos projetos e acompanhou seu crescimento profissional. Enquanto sua experiência aumentava e os desafios se tornavam maiores, a ferramenta evoluía junto com ela, oferecendo recursos que tornavam o processo de projeto mais organizado e eficiente.
Para Marta, entretanto, a tecnologia nunca substitui o conhecimento do paisagista. Ela funciona como apoio para que o profissional possa dedicar mais tempo ao que realmente faz diferença: pensar o projeto, escolher as espécies adequadas e criar espaços que atendam às necessidades de cada cliente.
Sua relação com o AutoLANDSCAPE ilustra bem essa visão. Depois de mais de vinte anos utilizando o software, o que permanece não é apenas a confiança na ferramenta, mas a certeza de que tecnologia e conhecimento caminham melhor quando trabalham juntos.
Esse depoimento também mostra como uma parceria construída ao longo do tempo pode acompanhar diferentes fases de uma carreira. Desde os primeiros projetos até os trabalhos mais complexos, o AutoLANDSCAPE esteve presente como parte do processo criativo de Marta, tornando-se um recurso que ela considera essencial para transformar ideias em projetos.

Projeto de habitação Gonzales
VILLA SCAVONE
Quando experiência e paixão caminham juntas
Ao ouvir Marta Yorki Strubing falar sobre sua carreira, fica evidente que seu maior diferencial nunca foi apenas o conhecimento técnico, mas a disposição para aprender continuamente. A conversa com Marta Yorki Strubing vai muito além de uma retrospectiva profissional. É o relato de alguém que transformou um simples passatempo em uma carreira construída com dedicação, curiosidade e muito estudo.
Sua história mostra que o paisagismo não foi uma escolha feita de um dia para o outro. Foi uma construção gradual, iniciada por curiosidade, fortalecida pelo estudo e consolidada pela experiência. O interesse pelas plantas levou ao viveiro; o viveiro despertou novas perguntas; essas perguntas a conduziram aos estudos, às viagens, aos projetos e a uma compreensão cada vez mais ampla do que significa ser paisagista.
Ao longo da entrevista, Marta também deixa uma mensagem importante para quem está começando na profissão: o aprendizado nunca termina. Conhecer as plantas é essencial, mas é apenas uma parte de um universo muito maior, que envolve arquitetura, arte, percepção dos espaços, técnica e, principalmente, a capacidade de observar.
Cada etapa de sua história revela que o paisagismo é uma profissão em constante evolução, onde conhecimento e sensibilidade caminham lado a lado. Foi assim que ela construiu seu espaço: observando, experimentando, estudando e nunca perdendo a vontade de descobrir algo novo.
Sua trajetória também demonstra como tradição e inovação podem caminhar juntas. Enquanto a experiência adquirida ao longo de décadas orienta suas decisões de projeto, ferramentas como o AutoLANDSCAPE ajudam a transformar essas ideias em soluções práticas, organizadas e eficientes.

ZOO paisagismo
Nesta entrevista, Marta Yorki Strubing mostra como o conhecimento, a observação e a paixão pelas plantas se transformam em paisagens que evoluem com o tempo. Assista à entrevista completa no vídeo abaixo:
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