O que ninguém te conta sobre crescer no paisagismo
Autor: Brenda de Melo Esteves - Data: 06/03/2026O que paisagistas de sucesso têm em comum?
Ao analisar as entrevistas mais recentes da revista AuE Paisagismo, percebemos que o sucesso no paisagismo não está ligado a fórmulas prontas, mas a atitudes consistentes ao longo do tempo. Cada profissional tem sua própria história, mas ao observar as trajetórias de Luana Oliveira, Antônio Lopes de Souza, Iedes Campezzi, Maria Carolina, Fredy Rempel e Cláudia Agazzi, Soraia Pimenta, Ana Paula Tiscoski, André Luis Cenak e Maria Paula Orlando, surgem padrões claros que ajudam a entender o que realmente faz a diferença na prática profissional.

1. Começar, mesmo sem estar pronto
Em muitas histórias, o início não foi planejado nem estruturado. Foi uma decisão. Luana Oliveira compartilha uma trajetória marcada pela coragem de sair do lugar comum e apostar em um caminho novo. Em sua entrevista, fica evidente que o crescimento não veio de um cenário ideal, mas da disposição de agir mesmo diante das incertezas. Em determinado momento, ela reforça que acreditar no próprio potencial foi essencial para transformar o sonho em profissão. Essa mesma ideia aparece na trajetória de André Luis Cenak, que fala sobre o processo de mudança de carreira e a necessidade de se permitir recomeçar. Ele mostra que esperar o momento perfeito pode ser um obstáculo maior do que começar sem todas as respostas. O padrão é claro. Profissionais de sucesso não começam prontos. Eles começam disponíveis para aprender.

2. Mudanças de rota fazem parte do crescimento
O paisagismo, para muitos desses profissionais, não foi o primeiro caminho. Antônio Lopes de Souza traz um exemplo marcante ao relatar sua transição da engenharia elétrica para o universo das plantas após a aposentadoria. Sua trajetória mostra que a mudança aconteceu de forma gradual, guiada pelo interesse e pela vontade de se dedicar a algo com mais significado. Em sua fala, ele reforça a importância de focar e acreditar no próprio caminho, valorizando aquilo que faz sentido pessoalmente e buscando uma atuação que agregue mais humanidade ao trabalho. Já Maria Carolina representa um outro tipo de trajetória. Vinda do meio acadêmico, ela entrou no paisagismo a partir do desenho técnico, ao trabalhar com projetos em um escritório da área. A partir dessa experiência, passou a prestar esse tipo de serviço para outros profissionais do setor. Segundo ela, esse caminho só se tornou viável com o uso do AutoLANDSCAPE, que permitiu ganhar escala, precisão e atender diferentes demandas com mais eficiência. Sua história mostra como a tecnologia pode não apenas otimizar processos, mas também abrir portas para quem está ingressando no paisagismo.
3. Organização e tecnologia são divisores de águas
Um ponto em comum entre muitos entrevistados é a virada que acontece quando o trabalho deixa de ser improvisado e passa a ser estruturado. A adoção de ferramentas digitais traz mais controle, clareza e profissionalismo, impactando tanto a execução dos projetos quanto a forma como são apresentados e compreendidos pelos clientes. Esse impacto pode ser observado de forma prática no relato de Maria Carolina. Ainda na graduação, ela desenvolveu um estudo comparativo em seu TCC para avaliar o tempo de execução de projetos feitos apenas no AutoCAD e com o uso do AutoLANDSCAPE. O resultado foi expressivo. Um projeto que levaria cerca de um mês para ser concluído manualmente pôde ser desenvolvido em aproximadamente uma semana com o uso do software. Além da redução no tempo, ela também destacou ganhos relevantes em precisão e organização. Atividades como contagem de plantas, inserção de nomes botânicos e geração de tabelas técnicas, que no processo manual exigem conferência constante e estão mais sujeitas a erros, passam a ser automatizadas, tornando o fluxo de trabalho mais seguro e eficiente. Esse padrão se repete entre os profissionais entrevistados. Quanto maior o nível de organização dos processos, maior a consistência no crescimento. Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser um diferencial e passa a ser um elemento fundamental na evolução profissional.
4. Parcerias fortalecem a trajetória
O crescimento no paisagismo muitas vezes acontece em conjunto. A história de Fredy Rempel e Cláudia Agazzi mostra como a parceria pode ser um diferencial importante. Trabalhando juntos, eles conseguem alinhar ideias, dividir responsabilidades e fortalecer decisões. Em suas falas, fica claro que essa troca constante contribui para um trabalho mais sólido. Mais do que dividir tarefas, a parceria traz diferentes pontos de vista, o que enriquece o processo criativo e estratégico.

5. Técnica e sensibilidade caminham juntas
O paisagismo exige conhecimento técnico, mas não se sustenta apenas nele. Iedes Campezzi demonstra em sua trajetória como o trabalho está profundamente ligado à sensibilidade. Sua forma de enxergar o paisagismo vai além da execução, envolvendo emoção, identidade e conexão com o espaço. Ana Paula Tiscoski amplia essa visão ao destacar a relação entre as pessoas e as áreas externas. Para ela, o paisagismo tem um papel direto na qualidade de vida, especialmente em contextos de mudança, como o de famílias que saem de apartamentos e passam a viver em casas com áreas externas. Nesse cenário, o jardim deixa de ser apenas um complemento e passa a influenciar a rotina. Esse contato mais próximo com a natureza pode estimular novos hábitos, como cultivar temperos e chás, acompanhar o crescimento de plantas e incentivar crianças a se envolverem com o ambiente desde cedo. Também favorece momentos simples, como caminhar descalço na grama, que fortalecem a conexão com o espaço e com o próprio ritmo de vida. Ela também aponta impactos que vão além do espaço físico, como a melhoria dos hábitos familiares, o fortalecimento do vínculo com o ambiente e aspectos ligados ao bem-estar e à espiritualidade. Nesse contexto, o projeto deixa de ser apenas composição e passa a ser vivência. O diferencial não está apenas em saber projetar, mas em compreender como aquele espaço será vivido no dia a dia.

7. Tempo, estudo e consistência constroem autoridade
As trajetórias mais longas revelam um aprendizado importante. Soraia Pimenta e Maria Paula Orlando mostram que a construção de uma carreira sólida acontece ao longo dos anos, mas está diretamente ligada à consistência e à forma como cada profissional se mantém ativo no mercado. No caso de Maria Paula, com mais de duas décadas de atuação, esse caminho foi construído desde o início com foco e envolvimento com o paisagismo. Ainda na faculdade, ela já buscava cursos, estágios e especializações na área, indo além da formação tradicional. Esse movimento nunca parou. Ao longo da carreira, ela reforça a importância de continuar estudando, pesquisando e acompanhando as transformações do setor. Essa constância impacta diretamente na qualidade dos projetos. Com o tempo, as decisões se tornam mais seguras, o repertório se amplia e a leitura dos espaços se torna mais completa. Além disso, sua experiência evidencia a importância de entender o paisagismo como parte integrada da arquitetura, respeitando o projeto como um todo e buscando equilíbrio entre construção e área externa. Assim como Soraia Pimenta também demonstra em sua trajetória, o crescimento profissional não acontece de forma imediata. Ele é resultado de prática, aprendizado contínuo e dedicação ao longo dos anos.

8. Profissionalização é o que separa quem cresce
Um dos padrões mais claros entre os entrevistados é a mudança de mentalidade ao longo da carreira. Em algum momento, todos deixam de atuar de forma intuitiva e passam a estruturar seu trabalho. Isso envolve organização, planejamento e uma visão mais estratégica do negócio. Essa transformação aparece de forma implícita em praticamente todas as entrevistas. O paisagismo deixa de ser apenas execução e passa a ser gestão.
Conclusão
As entrevistas da AuE Paisagismo mostram que o sucesso no paisagismo é resultado de um processo. Não existe um único caminho, mas existem atitudes que se repetem entre aqueles que se destacam. Começar, mesmo sem estar pronto. Adaptar-se às mudanças. Organizar o trabalho. Buscar aprendizado. Desenvolver sensibilidade. Entender o impacto do que se faz.
Mais do que histórias inspiradoras, esses relatos mostram que existe um caminho possível. Um caminho real, construído por profissionais que decidiram evoluir todos os dias.
Dê o play e confira trechos das entrevistas que revelam, na prática, o que faz a diferença na carreira.
Veja também:
Quando a coragem floresce: a jornada de Luana Oliveira
Da engenharia elétrica ao amor pelas plantas: Antônio Lopes de Souza
Entre raízes e sonhos: Iedes Campezzi
Raízes digitais, resultados naturais: Maria Carolina
Parceria dentro e fora do trabalho: Fredy Rempel e Cláudia Agazzi
Soraia Pimenta: uma vida dedicada ao verde
Ana Paula Tiscoski: a arte de cultivar beleza e harmonia
Transição de carreira com André Luis Cenak
Maria Paula Orlando: florescendo com o tempo

Anterior Próximo