Um patrimônio verde: o Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Autor: Cíntia Angélica - Data: 22/12/2025
Com paisagismo exuberante e reconhecida excelência em pesquisa botânica, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro é uma referência no Brasil e no mundo. Abriga mais de 6.500 espécies de plantas, provenientes da flora brasileira e de outros países, sendo cerca de 3.400 espécies cultivadas em uma área de 54 hectares.
Fundado em 13 de junho de 1808, o Jardim Botânico surgiu por iniciativa do então príncipe regente de Portugal, Dom João, que determinou a instalação, no local, de uma fábrica de pólvora e de um jardim destinado à aclimatação de espécies vegetais oriundas de diferentes partes do mundo. Atualmente, a instituição é um órgão federal vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e se consolidou como um dos mais importantes centros de pesquisa em botânica e conservação da biodiversidade em escala global.
Nos seus primórdios, um dos principais desafios foi a aclimatação de espécies trazidas do Oriente. Esse processo envolvia o aperfeiçoamento do transporte de mudas e sementes vindas de outros continentes (viagens que podiam durar meses), a construção de viveiros para a germinação e, por fim, o transplante das plantas para diferentes áreas do Jardim, onde eram observadas quanto às suas necessidades específicas de sol, sombra, água e solo.
A partir de meados da década de 1980, com o fortalecimento das pautas ambientais no cenário mundial e o avanço dos estudos florísticos, o Jardim Botânico passou a se destacar ainda mais como instituto de pesquisa e preservação. Em 2025, por exemplo, pesquisadores da instituição descreveram uma nova espécie de bromélia, a Wittmackia aurantiolilacina, em artigo publicado na revista científica Phytotaxa, em 19 de novembro. A espécie é endêmica da Mata Atlântica e foi coletada no Parque Nacional do Alto Cariri, na Bahia, próximo à divisa com Minas Gerais.
“Ao me deparar com essa planta florescendo pela primeira vez, fiquei estarrecido com a beleza de suas flores, uma combinação inusitada de cores, laranja e lilás. Imediatamente suspeitei que poderia se tratar de uma espécie nova, por não se parecer com nenhuma bromélia que já vi e estudei em mais de 30 anos de profissão”
afirma o pesquisador Bruno Rezende, um dos autores do estudo e curador da coleção científica de bromélias do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Além da flora, a fauna também recebe atenção especial. O Projeto Fauna do JBRJ, apoiado pela Associação de Amigos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (AAJB), dedica-se à identificação, monitoramento, pesquisa e educação sobre os animais silvestres que habitam o espaço, como micos, macacos, gambás e diversas aves. A iniciativa também atua no combate a ameaças como a perda de habitat e a presença de espécies invasoras, promovendo atividades como visitas noturnas e campanhas de conscientização voltadas à proteção da rica biodiversidade da Mata Atlântica presente no local.
A AAJB promove ainda, de forma periódica, o Curso de Paisagismo, que aborda temas como a história do paisagismo na relação com o ser humano, paisagismo sustentável e estudos ambientais, jardins verticais e telhados verdes, paisagismo indoor e em áreas semicobertas, criação de áreas de lazer, escolha de plantas ornamentais conforme suas necessidades de luz e solo, além de estudos de iluminação, irrigação, materiais e revestimentos. O curso combina aulas teóricas e práticas, incluindo visitas externas. Mais informações podem ser obtidas no site da Associação de Amigos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
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